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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Nota de Falecimento: Edward Kenna

Edward "Ted" Kenna
(06/07/1919 - 08/06/2009)

Faleceu no último dia 8 de julho em Geelong, Austrália, de complicações devido à acidente doméstico aos 90 anos de idade, o ganhador da Victoria Cross, Soldado Edward "Ted" Kenna.

Nascido em Hamilton, no sul da Austrália, Kenna largou os estudos aos 14 anos para trabalhar como encanador e ajudar a mãe, já que o pai havia ficado doente. Ele alistou-se nas Forças Imperiais Australianas em agosto de 1940, inicialmente servindo com a 23ª Companhia do 21º Batalhão, mas acabou transferido para a 2ª Companhia do 4º Batalhão em 1943. Com essa unidade ele foi embarcado para a Nova Guiné em outubro de 1944. Embora à beira do desastre completo, os japoneses ainda resistiam valentemente em bolsões do sudoeste asiático, e o 18º Exército do General Hatazo Adachi no norte da Nova Guiné era um desses exemplos.

Com os japoneses estabelecendo uma linha defensiva ao sul de Wewak, os australianos começaram a receber bombardeios constantes de artilharia, e a única posição na qual poderiam montar morteiros estava coberta por fogo pesado de metralhadora de três bunkers. Em 15 de maio de 1945, o pelotão de Kenna foi ordenado a avançar e destruir os três postos. Ele, com um pequeno time de suporte, se posicionou para cobrir o ataque principal do restante do pelotão, mas os japoneses descobriram a manobra e abriram fogo contra os atacantes. Com diversos companheiros feridos agonizando no chão, Kenna tomou uma metralhadora Bren e, arriscando-se de pé 50 metros em frente ao bunker, abriu fogo com a arma na cintura. Os japoneses responderam, e as balas passaram entre seus braços e o corpo, milagrosamente errando-o. Impávido, Kenna continuou a atirar até esgotar a munição, quando então soltou a metralhadora e tomou um rifle. Apesar do intenso fogo da casamata, ele fulminou o artilheiro japonês com um único tiro. Quando um segundo bunker abriu fogo, novamente Kenna mostrou-se um atirador impecável, e eliminou o artilheiro inimigo com um único disparo. As posições japonesas foram então tomadas sem maiores perdas.

Três semanas depois, enquanto participava de uma operação similar, Kenna foi atingido na boca por uma bala explosiva e evacuado para o hospital. Apesar da gravidade do ferimento, Kenna se recuperou e, em 6 de janeiro de 1947, foi agraciado com a Victoria Cross pelo Governador-Geral da Austrália, o Duque de Gloucester, por sua extremamente corajosa ação em Wewak.

Kenna então voltou para sua cidade natal e tornou-se administrador do estádio de críquete Melville Oval. Ele foi apresentado à Rainha Elizabeth II quando a monarca visitou a Austrália em março de 2000, e ganhou um retrato seu nas paredes da prefeitura local. Ted Kenna casou-se com Marje Rushberry, a enfermeira que cuidou dele quando foi ferido em ação, e juntos tiveram quatro filhos. Ele era o último dos ganhadores australianos da Victoria Cross na Segunda Guerra Mundial. Com a morte de Ted Kenna, restam somente três ganhadores da Victoria Cross na Segunda Guerra ainda vivos.

Ted Kenna e sua esposa Marje.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Ian Fraser
>>Nota de Falecimento: Havildar Bhanbhagta Gurung
>>Nota de Falecimento: Eric Wilson
>>Nota de Falecimento: Sir Tasker Watkins
>>Tul Bahadur Pun

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Um Focke-Wulf em Duxford

Nosso colaborador Martin Bull esteve presente no último show aéreo Flying Legends em Duxford, Inglaterra, onde uma verdadeira lenda voltou aos céus mostrando toda sua beleza: o Focke-Wulf Fw 190. Trata-se de uma das 20 réplicas construídas pela empresa alemã FlugWerk, que usou as plantas originais e tomou todo o cuidado para deixar o resultado final o mais fiel possível ao trabalho de Kurt Tank.

Os organizadores do show aéreo anteriormente se prendiam à regra de somente apresentar aeronaves originais, mas os pedidos por apresentações de aeronaves do Eixo foram crescendo com os anos, e o novo Focke-Wulf (de um proprietário francês) pôde fazer sua estreia.

É realmente muito bom ver um 190 de volta aos céus!









Pra terminar com chave de ouro, um vídeo do show:

Veja também:
>>Vídeo: Soviéticos testam um Fw 190 capturado
>>A despedida do B-25 de Duxford
>>Evento: Dambusters Raid Meeting 2009
>>Acidente com o Me 109 "Black 2"
>>A volta do Me 262!

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Nota de Falecimento: Ernst Barkmann

Ernst Barkmann
(25/08/1919 - 27/06/2009)

Faleceu no último dia 27 de junho em Kisdorf, Alemanha, de causas naturais aos 89 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, SS-Oberscharführer Ernst Barkmann.

Nascido em Kisdorf, Barkmann era filho de um farmacêutico e seguiu a carreira do pai, começando a trabalhar na farmácia. Em abril de 1939, ele voluntariou-se para servir na 2ª Companhia do SS-Standarte "Germania", uma das unidades pioneiras da Waffen-SS. Barkmann participou da invasão da Polônia em setembro como metralhador, sendo ferido em ação e promovido a SS-Rottenführer. Ele continuou lutando com a unidade na invasão da França em 1940, e durante a Operação Barbarossa foi seriamente ferido perto de Dnipropetrovsk, em julho de 1941. Barkmann passou o resto do ano no hospital e em 1942 tornou-se instrutor da SS na Holanda.

No fim daquele ano ele foi transferido para o braço blindado da Waffen-SS, mais especificamente para a 2ª Divisão Panzer SS "Das Reich". Dessa forma, tomou parte nas lutas para bloquear o avanço soviético em direção a Kharkov. Barkmann provou-se um exímio artilheiro, e recebeu o comando de seu próprio Panzer III, além da promoção a SS-Unterscharführer. A "Das Reich" em seguida participou da Operação Cidadela no saliente de Kursk, e Barkmann engalfinhou-se nas massivas batalhas de tanques ao redor de Prokhorovka, onde estreou sua nova montaria: o Panzer V Panther. Apesar da falha da ofensiva e dos problemas iniciais do Panther, a lista de inimigos destruídos por Barkmann continuou crescendo.

No início de 1944, a "Das Reich" foi enviada para a França, na expectativa da invasão Aliada pelo Canal da Mancha. Após a invasão da Normandia (e muita indecisão por parte do OKW), os tanques da SS chegaram ao front no início de julho, engajando os americanos inicialmente em St. Lô. A luta entre as cercas vivas da Normandia favorecia os defensores alemães, e em 27 de julho Barkmann posicionou seu Panther perto de carvalhos numa encruzilhada, esperando por uma coluna blindada americana. Ao aproximarem-se os Shermans, Barkmann disparou e incendiou dois deles, mais um caminhão com combustível. Escondido entre a vegetação e protegido pelo caminhão que queimava, ele destruiu um total de 9 Shermans antes de retirar-se devido a um ataque aéreo. O episódio e o local ficaram conhecidos como "A Esquina de Barkmann".

Promovido a SS-Oberscharführer, Barkmann ainda participou da Ofensiva das Ardenas, sendo ferido em ação no dia 25 de dezembro. Em março de 1945 ele voltou ao front leste, destruindo quatro T-34s perto de Stuhlweissenburg, elevando o total da "Das Reich" para 3.000 tanques destruídos. Em abril, ele lutava nas redondezas de Viena, quando seu Panther foi atingido acidentalmente por fogo amigo, ferindo-o mais uma vez. Ele conseguiu chegar ao setor inglês e render-se. Barkmann terminou o conflito tendo destruído 82 tanques inimigos, 136 veículos variados e 43 canhões antitanque.

Após a guerra, Ernst Barkmann voltou à sua cidade natal, onde trabalhou por muito tempo como chefe dos bombeiros. Mais tarde, ele elegeu-se prefeito do município. Um veterano de extremo cavalherismo, Barkmann recepcionava visitantes em sua casa. Contudo, agindo de má fé, alguns aproveitaram-se da situação para roubar-lhe diversas relíquias. Barkmann faleceu sem nunca ter recuperado seu precioso álbum de fotografias, roubado de sua casa em 2007.

Arte retratando a famosa "Esquina de Barkmann".

Veja também:
>>Paul Hausser
>>Sylvester Stadler
>>Johannes Kümmel
>>Adalbert Schulz
>>Nota de Falecimento: Heinrich Köhler

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Sergio Denti

Sergio Denti
Sottocapo
(1920 - )

Sergio Denti nasceu em Prato, na região italiana da Toscana, em 3 de junho de 1924. Quando a Itália entrou na Segunda Guerra Mundial em 10 de junho de 1940, Sergio falsificou seus documentos e voluntariou-se para serviço na Regia Marina, logo após completar seus 16 anos. Na época, ele era o mais jovem marinheiro italiano, fato que tornou-o famoso no país após ter uma reportagem sobre si publicada nos jornais em 22 de junho de 1941.

Após o treinamento básico, Sergio recebeu treino em torpedeiros, sendo transferido para uma base naval na Sicília. Após completar a fase de aprendizado, ele foi designado para o torpedeiro RN Orsa. Sua missão era escoltar comboios da Sicília até a África e por todo o Mediterrâneo. Entre 1941 e 1943, Sergio participou de 42 missões de escolta naval, atuando como operador de lançamento de torpedos. Suas ações foram essenciais para o afundamento de quatro submarinos ingleses – o primeiro em 12 de junho de 1942, o segundo em 3 de setembro, e os dois últimos em 29 de dezembro – sendo agraciado com duas Croce al Valor Militare.

Já um experiente veterano aos 19 anos de idade, Sergio lia e escutava constantemente notícias dos audaciosos ataques subaquáticos dos homens-rãs da Decima Flottiglia MAS, e pediu transferência para a unidade em 1943. Após ter seu currículo avaliado por Junio Valerio Borghese, Sergio conseguiu a transferência, mas tinha acabado de ser gravemente ferido em combate. Ele então foi recebeu uma licença médica para recuperar-se em casa, junto à sua família.

Enquanto Sergio se recuperava, em setembro de 1943, o governo de Pietro Badoglio assinou um armistício com os Aliados, o que fez com que o país se partisse ao meio com a ocupação alemã da parte norte e os Aliados avançando pelo sul. A Decima MAS, sediada em La Spezia, no noroeste italiano, estava em território ocupado pelos nazistas, e Borghese fez um acordo com os alemães que o possibilitou continuar a luta ao seu lado.

Pouco depois do Armistício, Sergio partiu para La Spezia, esperando reencontrar-se com a tripulação do Orsa. Contudo, Borghese pessoalmente o convidou para se juntar à Decima MAS, e ele aceitou. Sergio então passou pelo treinamento especial de guerra submarina da unidade, primeiro em La Spezia e depois no Lago Maggiore. No começo de 1944, Sergio conseguiu sua licença para pilotar os barcos explosivos MTM e MTSM. Essas armas funcionavam de forma bastante simples – o pequeno barco veloz que carregava 330 kg de explosivos era pilotado por um homem, que mirava na lateral do alvo e saltava a uma curta distância, deixando que o barco seguisse seu caminho até explodir contra o casco do navio.

Em 14 de junho de 1944, durante uma transferência de uma esquadrilha de lanchas no Mar Tirreno, Sergio e seus companheiros sofreram pesado ataque de uma patrulha aérea Aliada, que destruiu todo o grupamento. Sua lancha foi metralhada diversas vezes, incendiando o tanque de combustível. Sergio pulou na água, mas seu companheiro foi ferido e perdeu os sentidos, ainda a bordo da lancha em chamas. Sob contínuo fogo inimigo, Sergio corajosamente voltou à lancha e resgatou seu companheiro da iminente explosão. Por essas ações ele foi condecorado com a Medaglie di Bronzo al Valor Militare.

Contudo, a grande ação de destaque de Sergio Denti ainda estava por vir. Na noite de 16 para 17 de abril de 1945, a Decima MAS estava atacando a navegação inimiga nas proximidades de Ventimiglia, a leste de Cannes. Durante sua aproximação, a formação italiana foi detectada, e todas as armas defensivas dos navios Aliados começaram a disparar. Sergio mirou a sombra de um navio no horizonte, e acelerou por entre as rajadas que atingiam a água. A pouca distância ele saltou, conseguindo um acerto em cheio no destróier francês La Trombe. O ataque matou 19 marinheiros franceses e inutilizou o destróier, que teve de ser rebocado. Foi o último ataque bem-sucedido da Decima MAS.

Sergio Denti foi nomeado para a Medaglie d’Oro al Valor Militare por sua ação, mas a guerra terminou antes que o processo fosse concluído. Após saltar na água, ele foi capturado pelos franceses. Levemente ferido, ele foi levado a um hospital e, logo depois, para um campo de prisioneiros perto de Toulon. Sergio conseguiu fugir do cativeiro e cruzar a fronteira da Itália, mas ao chegar à pátria foi imediatamente preso por ter lutado pela RSI. Quando foi finalmente libertado, ele foi expulso da Marinha, e retornou para a vida civil, mudando-se para Pontassieve, perto de Florença.

Em maio de 2008, Sergio Denti fez uma visita ao cemitério de Toulon, onde depositou 19 rosas vermelhas em honra aos 19 marinheiros franceses mortos em seu ataque ao La Trombe em 1945.

O ataque de Sergio Denti ao La Trombe, 17 de abril de 1945.

Nota: Como fã da Decima MAS, foi um orgulho poder me corresponder com o Sr. Sergio Denti recentemente. Uma pessoa da mais fina educação e um dos últimos grandes mergulhadores de assalto italianos ainda vivo. Meus agradecimentos a Paul Perron pela valiosa ajuda nas informações.

Veja também:
>>Hino da Decima MAS
>>Licio Visintini
>>SLC Maiale
>>Nota de Falecimento: Gino Birindelli
>>Documentário: Lo Spirito del Serchio (trailers 2 e 3)

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Nota de Falecimento: Bela Kiraly

Bela Kiraly
(14/04/1912 - 04/07/2009)

Faleceu no último dia 4 de julho em Budapeste, de causas naturais aos 97 anos de idade, o herói nacional húngaro, General Bela Kiraly.

Nascido em Kaspovar, a sudoeste de Budapeste, Kiraly frequentou a Academia Militar de Ludovica, sendo comissionado Tenente do Exército em 1935. Em 1940 ele entrou para Academia de Estado-Maior, e foi promovido a Capitão em 1941. O governante da Hungria, Almirante Miklós Horthy, resolveu apoiar a Alemanha na invasão da União Soviética, e no ano seguinte Kiraly foi enviado como observador para as posições húngaras no Don. Com a ofensiva de Zhukov naquele inverno, e a recuada das tropas do Eixo, Kiraly envolveu-se em diversos combates, ganhando as duas classes da Cruz de Ferro. Em meio à luta, Kiraly foi responsável por salvar um grupo de judeus ucranianos de seus captores nazistas, o que rendeu-lhe, em 1993, o título de "Justo entre as Nações" pelo governo de Israel e uma árvore no memorial do Yad Vashem.

Após a guerra, Kiraly juntou-se ao Partido Comunista para continuar sua carreira militar. Contudo, a repressão que Stalin exercia sobre a Hungria era crescente, e em agosto de 1951 Kiraly foi preso por motivos políticos. Em fevereiro de 1952 ele foi sentenciado a morte, e ainda estava esperando pela execução quando Stalin morreu em março de 1953. De acordo com Kiraly, os guardas imediatamente tornaram-se mais educados, e a pressão abrandou até que ele foi libertado em 1955.

Em outubro de 1956, manifestações populares contrárias ao domínio soviético tomaram Budapeste, e Moscou enviou tanques para conter a revolução. Já com a patente de Major-General, Kiraly nomeado comandante militar de Budapeste pelo Primeiro-Ministro Imre Nagy. Ele tentou unificar a Polícia, Exército e outros grupos insurgentes em uma Guarda Nacional, mas mesmo assim as chances de vitória contra o Exército Vermelho eram quase inexistentes, e a Revolução Húngara foi esmagada em 10 de novembro de 1956. Mesmo derrotada, a revolução marcou o início da resistência contra a dominação bolchevista na Europa. Kiraly fugiu para a Áustria e depois para os EUA, onde conseguiu um PhD pela Universidade de Columbia e ensinou história militar na Universidade de Nova Iorque.

Após a queda do comunismo em 1989, Bela Kiraly voltou à Hungria, sendo eleito deputado e atuando como conselheiro do governo por muitos anos. Foi também elevado ao posto máximo do Exército, General de 4 estrelas. Sobre a Revolução de 1956, ele dizia-se feliz com a não-intervenção dos EUA: "Se tropas americanas aparecessem na Hungria, seria a Terceira Guerra Mundial. Se fosse a Terceira Guerra Mundial, seria guerra atômica. Se fosse guerra atômica, a Hungria seria o primeiro alvo. E ao invés de sermos libertados, seríamos incinerados".

Herói nacional de primeira-ordem, o General Bela Kiraly deixa a Hungria em luto por sua perda.

General Kiraly é condecorado com a Medalha da Liberdade pelo Dr. Imre Toth, da Federação Húngaro-Americana, em 2005.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Stanislav Hlucka
>>Nota de Falecimento: Ion Marinciu
>>Nota de Falecimento: Jan Reznak
>>Nota de Falecimento: Frantisek Cyprich
>>Nota de Falecimento: Boris Capbatut

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Nota de Falecimento: Robert McNamara

Robert McNamara
(09/06/1916 - 06/07/2009)

Faleceu no último dia 6 de julho em Washington DC, de causas naturais aos 93 anos de idade, o ex-Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Tenente-Coronel Robert Strange McNamara.

Nascido em San Francisco, Califórnia, McNamara era um estudante brilhante, e recebeu uma bolsa em Berkeley para estudar Filosofia e Economia, granduando-se em 1937. Em agosto de 1940 ele se tornou o mais jovem professor na história da Universidade de Harvard, lecionando na Escola de Negócios. Após ministrar um curso de análise para oficiais da Força Aérea do Exército, ele foi admitido em suas fileiras com a patente de Capitão em 1943. McNamara então passou a trabalhar para o Escritório de Controle Estatístico da USAAF, sendo que sua principal missão foi medir a eficácia e eficiência dos bombardeiros B-29 na China e nas Marianas. Ele mais tarde admitiu que seus relatórios foram parte da razão pela qual Curtis LeMay ordenou os bombardeios incendiários do Japão em 1945.

Após a guerra ele pediu baixa em 1946, com a patente de Tenente-Coronel. McNamara então foi trabalhar para a Ford, sendo um dos principais advogados da instalação de cintos de segurança nos veículos de linha. Em 1957, aos 45 anos, ele se tornou presidente da companhia. Com a eleição de John F. Kennedy para a presidência dos EUA em 1961, McNamara tornou-se o oitavo Secretário de Defesa na história do país, cargo que ocupou também durante a gestão de Lyndon Johnson até fevereiro de 1968. Ele tornou-se muito conhecido por ser o principal advogado da Guerra do Vietnã, fato que elevou McNamara ao status de figura odiada por milhões de pessoas na década de 1960. Após deixar a pasta, exerceu o cargo de presidente do Banco Mundial até aposentar-se em 1981, tornando a instituição a mais importante fonte de assistência ao desenvolvimento internacional.

Em 1995, publicou o polêmico livro "In Retrospect: The Tragedy and Lessons of Vietnam", no qual admite os diversos erros de estratégia e política durante a Guerra do Vietnã. Em 2004, tornou-se protagonista do documentário "Sob a Névoa da Guerra", que foi um sucesso de bilheteria. Nele, McNamara discorre sobre sua vida e sua influência nos diversos conflitos em que se envolveu. Em muitos trechos aparece emocionado, especialmente ao falar de seu período na Casa Branca.

Robert McNamara deixa a segunda esposa, Diana Byfield, duas filhas e um filho.

Trailer do documentário "Sob a Névoa da Guerra"

Veja também:
>>Primeiro-Ministro japonês queria continuar a luta
>>Nota de Falecimento: Leon W. Gray
>>Jim Pattillo: Os problemas operacionais do B-29 no CBI
>>Maurice Ashland: O Grande Raide de Tóquio
>>Sobrevivente ainda assombrado pela noite de terror

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Evento: 1º Encontro Nacional de Reencenação Militar

A VII Exposição de Plastimodelismo CBAP e o 1º Encontro Nacional de Reencenação Militar acontecerão nos dias 11 e 12 de julho de 2009 entre 9:00 e 17:00h, nas dependências do 2º Batalhão de Infantaria Leve, em São Vicente - SP.

Trata-se de um evento com destaque ao colecionismo militar, sendo que além da competição de plastimodelismo, teremos:

*Acampamento de reencenadores militares vestidos a caráter;
*Exposição de equipamento militar histórico e atual;
*Museu da FEB no local;
*Competição de action figures ("falcon");
*Tenda de rádio amador, com transmissão ao vivo do evento;
*Exposição de viaturas militares modernas e históricas;
*Área destinada ao comércio de artigos de colecionismo militar (roupas, fardamento, acessórios, miniaturas, entre outros).

É de fundamental importância ressaltar que o evento possui um caráter beneficente, pois parte das inscrições serão revertidas em alimentos e doados ao Fundo Social de Solidariedade de São Vicente, além das doações espontâneas do público.

Venha prestigiar e participar!


Veja também:
>>Nasce o 1º RI - Reenactors da FEB
>>Evento: Dambusters Raid Meeting 2009
>>Evento: Tirpitz Raid Meeting 2009
>>Evento: Mosquito Meeting 2008
>>Evento: Reunião 2008 da ANR

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Trailer: O Caminho dos Heróis

O baterista do Paralamas do Sucesso, João Barone, está preparando mais um documentário sobre a Segunda Guerra Mundial: O Caminho dos Heróis.

Desta vez, Barone e uma grande equipe - que incluiu dos veteranos da FEB - foram para a Itália, levando dois jipes originais e muito material de reenact para percorrer o caminho feito pela Força Expedicionária Brasileira em 1944 e 1945. O trailer abaixo tem cenas emocionantes, e a produção promete ser de alta qualidade!

Vamos conferir:


Veja também:
>>Alto-Comando Brasileiro em Berchtesgarden
>>Dias de Heróis
>>Waldemar Levy Cardoso
>>Nasce o 1º RI - Reenactors da FEB
>>Fernando Corrêa Rocha

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Documentário: Hitler's Stealth Fighter

O documentário "Hitler's Stealth Fighter", que fala sobre a construção de um modelo em escala real da asa voadora Horten Ho 229, ganhou um hotsite muito informativo e com bastante conteúdo visual. Uma equipe da Northrop Grumman testou a aeronave para medir suas características stealth, com resultados impressionantes. Confira abaixo alguns trechos:

Transportando o modelo para o deserto de Mojave


Analisando o protótipo original Ho 229V3


O desenvolvimento da asa Horten


Testando o fator stealth

Clique aqui para conferir uma visão 3D da Horten Ho 229.

Veja também:
>>Museu de San Diego exibirá réplica de stealth alemão
>>Horten Ho 229
>>Focke-Wulf Triebflugel
>>Documentário: Lo Spirito del Serchio
>>Documentário: Lo Spirito del Serchio (trailers 2 e 3)

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Nota de Falecimento: Heinrich Köhler

Heinrich Köhler
(03/07/1922 - 25/06/2009)

Faleceu no último dia 25 de junho em Göttingen, na Alemanha, de causas naturais aos 86 anos de idade, o ganhador da Cruz do Cavaleiro, Tenente Heinrich Köhler.

Nascido em Hameln, Köhler alistou-se no Exército em 3 de outubro de 1941, passando pelo treinamento básico e depois sendo designado para o 49º Batalhão Reserva de Artilharia Pesada, em Dessau. Em novembro de 1942, ele foi transferido para o 19º Regimento de Artilharia da 19ª Divisão Panzer, na União Soviética. A unidade foi bem-sucedida em capturar um grande número de prisioneiros numa operação de cerco em Jarzewo, na região de Smolensk. Em 19 de dezembro daquele ano, o regimento foi embarcado em Smolensk e transferido para a curva do Don, com a tarefa de liberar unidades italianas pegas pela operação de cerco dos russos ao redor de Stalingrado. Em março de 1943, após um curso de comando, Köhler se voluntariou para a artilharia autopropulsada.

Em dezembro daquele ano, Köhler foi designado para o 322º Batalhão de Canhões de Assalto, sendo transferido para o leste da Polônia e promovido a Leutnant. Lá, durante as pesadas lutas ao redor de Weichsel, ele destruiu seu primeiro tanque inimigo. Já em janeiro de 1945, com o rompimento das linhas alemãs pelos soviéticos, Köhler e sua unidade tornaram-se parte do Corpo Panzer Nehring, em Kielce. Recebendo o comando do 3º Pelotão do 210º Batalhão, Köhler envolveu-se nos combates em Schwedt, Küstrin e Stettin, mantendo a rota de escape aberta para os refugiados alemães da Prússia Oriental. Em meio à luta, ele foi ferido duas vezes, e destruiu 21 carros de combate inimigos. Por esses feitos, Köhler recebeu a Cruz do Cavaleiro da Cruz de Ferro em 20 de abril de 1945.

Ele conseguiu render-se aos ingleses, e após um curtíssimo período na prisão de Friedrichsmoor, foi libertado em 20 de junho de 1945. Em sua aposentadoria, estabeleceu-se em Göttingen, na Baixa Saxônia.

Refugiados alemães da Prússia Oriental que conseguiram chegar à Alemanha fugindo do avanço soviético em 1945.

Veja também:
>>Nota de Falecimento: Bodo Spranz
>>Nota de Falecimento: Friedrich Blond
>>Nota de Falecimento: Hans Röger
>>Nota de Falecimento: Kurt Prinz
>>Nota de Falecimento: Alois Eisele

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Por que a confusão? Porque ele é um herói de Pearl Harbor

Por que a confusão? Porque ele é um herói de Pearl Harbor


John Finn, a menos de um mês do seu 100º aniversário, é o mais velho portador da Medalha de Honra do Congresso, e o único ainda vivo a tê-la ganhado durante o ataque de 1941, no qual foi ferido cinco vezes.

Numa clara e forte voz, John Finn disse ao grupo que juntou-se para homenageá-lo no último sábado, que não entendia a razão de tanta confusão por causa dele.

Não acredito nisso”, disse Finn às mais de 500 pessoas do lado de fora do La Posta Diner. “Tudo que eu sempre fui foi um humilde marinheiro... O serviço que eu fazia era pago”.

O que Finn fez foi tomar o controle de uma metralhadora calibre .50 na base naval de Kaneohe Bay, Havaí, e disparar contra aeronaves de ataque japonesas naquela violenta manhã que mudou o mundo, 7 de dezembro de 1941.

Ferido cinco vezes, ele recusou-se a ser evacuado e continuou atirando nos aviões que atacavam a base e os marinheiros. Observando a coragem de Finn, outros marinheiros juntaram-se a ele, operando outras armas.

Por suas ações, Finn foi agraciado com a Medalha de Honra do Congresso.

Agora ele está a menos de um mês do seu 100º aniversário, tornando-o o mais velho ganhador da Medalha de Honra e o último ganhador pelo ataque a Pearl Harbor.

Diversos grupos de veteranos e outras pessoas se juntaram no restaurante para honrar Finn em adiantamento ao seu aniversário em 23 de julho. Foi uma manhã cheia de comemorações, incluindo uma proclamação da Câmara de Supervisores do Condado de San Diego fazendo do sábado o “Dia de John Finn”.

Ele parece ótimo, não é?”, disse a supervisora Dianne Jacob.

O evento foi organizado por Bud Wharton, o dono do La Posta Diner. O filho de Finn, Joe, trabalhou no La Posta por muitos anos. Localizado no nº 80 da Old Highway, 80 quilômetros a leste de San Diego, o restaurante é o favorito dos motociclistas que percorrem a rodovia interestadual 8.

A pedido de Wharton, dúzias de motociclistas roncaram seus motores em honra a Finn. Uma placa honrosa em sua homenagem foi inaugurada no restaurante.

Finn, natural de Los Angeles, era um Sargento-Chefe e ordenança de aviação na manhã do ataque. Ele aposentou-se como Tenente em 1956 e desde então tem vivido no leste do Condado de San Diego.

Ele recebeu uma série de honrarias recentemente. Esteve ao lado do presidente Obama em 25 de março, para colocar uma coroa de flores na Tumba dos Desconhecidos no Cemitério Nacional de Arlington.

Uma cerimônia em sua homenagem foi feita na última semana na base da Marinha no Bahrain. A bandeira utilizada será entregue a Finn, após ser suspensa sobre vários porta-aviões.

Ele representa tudo que é bom e direito neste país”, disse o Capitão da Marinha Russ Thompson, comandante da Base Aérea da Marinha de El Centro, que encerrou os eventos do sábado.

Fonte: Los Angeles Times, 28 de junho de 2009.

O jovem John Finn, ao receber a Medalha de Honra.

Veja também:
>>Fotos do ataque a Pearl Harbor
>>Nota de Falecimento: Jack Lucas
>>Nota de Falecimento: Michael Daly
>>Nota de Falecimento: Nathan Gordon
>>Nota de Falecimento: Robert Nett

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Nota de Falecimento: Leopold Heimes

Leopold Heimes
(30/08/1916 - 26/06/2009)

Faleceu no último dia 26 de junho em Chimay, Bélgica, de causas naturais aos 92 anos de idade, o último veterano belga da Batalha da Inglaterra, Sargento Leopold Heimes.

Nascido em Merbes-le-Château, na Valônia, Heimes ingressou na Real Força Aérea Belga em 1936, mas foi recusado nas avaliações para piloto. Decidido a permanecer, ele acabou tornando-se um artilheiro aéreo/observador, completando o treinamento e sendo designado para o 2º Regimento Aéreo. Quando os alemães invadiram a Bélgica em maio de 1940, a pequena força aérea do país lutou bravamente, mas a rápida progressão da ofensiva não deu qualquer chance de vitória aos belgas. Junto com muitos outros colegas, Heimes fugiu para a Inglaterra, chegando lá no dia 27 de junho.

Durante a Batalha da Inglaterra, Heimes voou como artilheiro de um Bristol Blenheim do 235º Esquadrão do Comando Costeiro da RAF. Em abril de 1941, ele foi aceito para treinamento de piloto de caça. Em 19 de novembro daquele ano, Heimes foi então transferido para o recém-criado 350º Esquadrão (Belga) da RAF, voando o Supermarine Spitfire Mk.II. As primeiras missões dos pilotos belgas foram escoltas de comboios no Mar da Irlanda, mas em abril de 1942 o esquadrão iniciou missões de ataque sobre a França. Heimes também voou missões de patrulha nos comandos de um PBY-5 Catalina. Em 1945, ele foi transferido para o 76º Esquadrão do Comando de Transporte, voando o Douglas C-47 na Índia.

Após a guerra, Heimes continuou com a RAF até setembro de 1951, trabalhando em seguida como piloto da aviação civil até aposentar-se. Um veterano muito ativo, Leopold Heimes participava constantemente de celebrações e shows na Bélgica e na Inglaterra. Em 10 de maio de 2008 ele foi homenageado pelo Museu do Exército Belga, quando recebeu uma pintura celebrando os aviadores belgas que lutaram na Batalha da Inglaterra.

Leopold Heimes (à dir.) e o colega aviador François Venesoen na Inglaterra, em agosto de 1940.

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Inglaterra planejou usar dardos venenosos contra os alemães

Inglaterra planejou usar dardos venenosos contra os alemães

O conceito soa quase medieval em sua crua simplicidade.

A ideia era pulverizar as tropas inimigas com dezenas de milhares de dardos venenosos feitos com agulhas de máquinas de costura, que poderiam levar à morte em minutos.

Incrivelmente, o plano foi considerado pelos ingleses no ponto alto da Segunda Guerra Mundial.

Os detalhes, revelados recentemente em documentos secretos liberados pelo Arquivo Nacional, descrevem os horrendos efeitos físicos de tal ataque nos soldados alemães.

Os documentos também mostram como o governo tentou fazer com que a fabricante de máquinas de costura Singer se tornasse seu fornecedor de agulhas.

Cientistas no instituto de pesquisa militar Porton Down em Wiltshire usaram alguns protótipos de uma fábrica local da Singer, em Salisbury.

Percebendo que estavam com pouco suprimento de agulhas, o maior especialista em armas químicas da Inglaterra, Dr. Paul Fildes, escreveu pessoalmente à empresa.

O conceito, desenvolvido entre 1941 e 1945, envolvia dardos carregados com uma quantidade suficiente de veneno para causar “morte ou invalidez”.

Mais de 30.000 dardos podiam ser colocados dentro de bombas de fragmentação, que poderiam ser lançadas contra tropas inimigas de uma aeronave voando a 1.000 metros de altitude, segundo o arquivo intitulado “Pesquisa do uso de Antrax e outros venenos para guerra biológica”. A morte ocorreria dentro de 30 minutos se os dardos não fossem rapidamente removidos.

Em tenebroso detalhamento, os especialistas listam os efeitos colaterais do veneno especialmente desenvolvido – mas não identificado.

Quando testado em ovelhas, os animais foram “considerados sem esperança” dentro de um a cinco minutos, e estavam mortos dentro de meia-hora. Efeitos incluíam salivação profusa e suor, defecação descontrolada e vômito.

Os arquivos sugerem que os dardos pesariam cerca de 4 gramas e teriam uma calda de papel. Jogados desta altitude, eles seriam capazes de penetrar “10 centímetros de carne ou até serem parados pelos ossos”.

Também incluídas nos documentos estão as cartas trocadas entre os pesquisadores e a Singer em Bristol. Devido à natureza secreta do projeto, os cientistas não divulgaram a razão de seu pedido por um tipo particular de agulha.

O Dr. Fildes escreveu: “É um pouco difícil de explicar o que eu quero com as agulhas de máquina de costura...

Uma resposta da Singer, datada de 24 de dezembro de 1941, diz: “Temo que não conseguimos entender inteiramente seus requerimentos. Analisando seu pedido, parece que as agulhas que necessita são para algum outro propósito, que não para máquinas de costura. Em todo caso, gostaríamos de ajudá-lo, se for possível”.

O plano foi descartado em 1945 porque os dardos foram considerados uma “arma muito dispendiosa”.

Mark Dunton, historiador dos Arquivos Nacionais, disse que a Inglaterra tornou-se tão desesperada para levar a guerra a um fim que estava preparada para considerar qualquer coisa. “Esse tipo de arma teria causado terror irrefreável”, disse ele.

Embora os Protocolos de Genebra, de 1925, banissem a guerra biológica, eles não impediam o uso de armas químicas como os dardos.

TÓQUIO NO ALVO

A Inglaterra considerou atacar Tóquio com armas químicas mais de um ano antes que os americanos despejassem as bombas atômicas.

Documentos governamentais recentemente revelados mostram os detalhes de um estudo feito 15 meses antes do bombardeio atômico de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945.

Os documentos descrevem como o clima em Tóquio e suas ruas estreitas afetariam a dispersão de gás. Os cientistas consideraram o uso de fosgênio, gás mostarda e incendiários.

Fonte: Daily Mail, 26 de junho de 2009.

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Livro: Mussolini e a Ascensão do Fascismo

Mussolini e a Ascensão do Fascismo

A cadeia de eventos que permitiu a ascensão dos fascistas ao poder é analisada em um livro da editora Agir.

por Júlio César Guedes Antunes

Analisar a origem de um acontecimento tão importante para a história como a Segunda Guerra Mundial é analisar além dos fatos mais óbvios: o desejo de Hitler pela Polônia, a política apaziguadora de Chamberlain, o jogo duplo de Stalin. Analisando mais a fundo, temos que buscar a origem dos regimes de extrema-direita que afloraram em diversos países europeus durante a as décadas de 1920 e 30, que tornaram-se rivais dos regimes democráticos e adicionaram um componente muito volátil na caldeira européia. Voltar e analisar essas origens nos remete inevitavelmente ao primeiro: o fascismo italiano.

Como o primeiro dos déspotas destes regimes, Benito Mussolini, “Il Duce”, gabou-se por vinte anos de ter tomado o poder através da força, pela revolução, materializada em sua altamente propagandeada “Marcha sobre Roma”. Mussolini, contudo, foi trazido ao poder por vias inteiramente legais – foi convidado pelo rei Vittorio Emanuele III para formar um novo governo, com o posto de Primeiro-Ministro – em 30 de outubro de 1922. A raiz de sua retórica, entretanto, necessitava ser afagada com essa versão distorcida dos acontecimentos.

Em um livro conciso e objetivo, é o que nos conta o historiador inglês Donald Sassoon, autor de Mussolini e a Ascensão do Fascismo (200 páginas, 30 reais). Sassoon utiliza um estilo de escrita extremamente enxuto e científico, aproximando-se muito da linguagem acadêmica. Ele apresenta um retrato político da Itália nas décadas anteriores à era fascista, desde sua tardia unificação em 1870, quando Piemonte forçou a união de diversas províncias peninsulares sem muita identidade comum, até os conturbados anos que seguiram à “vitória mutilada” na Primeira Guerra Mundial.

A Itália nasceu no último terço do século XIX, fruto da unificação de territórios com população de maioria rural e sem consciência política. Seus novos governantes tentaram colocar a nova nação entre o seleto clube das potências européias, mas tendo chegado atrasados no processo imperialista, suas aventuras coloniais eram de pouca valia. Nada ajudou o fato da Itália ter sido a única nação européia a ter sido derrotada por forças africanas, na Batalha de Adowa, em 1 de março de 1896. A Alemanha, que nasceu no mesmo período e compartilhou das dificuldades coloniais, teve nos prussianos uma força impávida que moveu a nação na direção da industrialização maciça, o que os piemonteses também tiveram dificuldade em repetir.

Dessa forma, a Itália tornou-se “a última das grandes potências”, status que muitos políticos e intelectuais italianos tentaram modificar. O liberal Giovanni Giolitti, cinco vezes Primeiro-Ministro, foi considerado o político mais influente da Itália pré-fascismo, mas teve que lutar contra um número de facções políticas contrárias, além de um sistema clientelista do qual ele mesmo era complacente. Nas palavras do autor: “enquanto na Inglaterra o Primeiro-Ministro tinha poder por ser o líder do maior partido político, na Itália ele o tinha por poder distribuir favores”. A cisão entre católicos e socialistas nunca permitiu uma união da esquerda no país, o que abriu espaço direto para um movimento unificado de direita.

Assim, quando deu-se início a Primeira Guerra Mundial em 1914, as facções intervencionista e isolacionista iniciaram uma acalorada discussão sobre a atitude que a Itália deveria tomar. Eventualmente, o país entrou na guerra em 1915, mas o desempenho fraco no campo de batalha contra os austríacos e alemães marcou o despreparo e falta de união nacional dos italianos. Após o desastre na Batalha de Caporetto, em outubro de 1917, o General Luigi Cadorna foi substituído como Chefe de Estado-Maior Geral pelo General Armando Diaz, que reorganizou o Exército e infligiu uma decisiva derrota aos austríacos na Batalha de Vittorio Veneto, em novembro de 1918.

O triunfo militar, todavia, não traduziu-se nos ganhos esperados pelos italianos. As reivindicações na costa da Dalmácia e a possessão da cidade de Fiume não foram atendidas pelo Tratado de Versalhes, gerando uma insatisfação que abalou as estruturas do governo vigente. O poeta e veterano de guerra Gabriele D’Annunzio, junto com um grupo de milicianos nacionalistas, tomou o controle da cidade em 1919 e estabeleceu um governo autônomo. A aventura de D’Annunzio provaria ser uma das fontes inspiradoras de um então obscuro jornalista, Benito Mussolini, que encabeçava um movimento – não ainda um partido – sem uma identidade definida: o “Fascio di Combattimento”.

A crescente influência dos socialistas – no esteio da Revolução Russa – preocupava as elites industriais do Vale do Pó, pois organizavam greves e protestos da massa trabalhadora. Com o governo fragmentado e corrupto, os industriais recorreram ao violento grupo de fascistas que atacava os escritórios e concentrações de socialistas na região. A crescente violência dos fascistas não encontrava resistência por parte da polícia e do estado, que por vezes eram-lhes complacentes.

A corrupção generalizada do estado italiano em 1921, descrita por Sassoon num capítulo particularmente intrigante, inevitavelmente faz-nos lembrar da nossa atual situação, de uma maneira às vezes assustadora. A obra examina nicho a nicho a sociedade italiana e sua participação no cenário político calamitoso que culminou na nomeação de Mussolini pelo rei em 30 de outubro de 1922. Seria o começo de um governo que se tornaria uma ditadura cinco anos depois, colocaria a Itália no cenário internacional e que somente seria derrubado após três anos de desastroso envolvimento na Segunda Guerra Mundial.

O livro de Sassoon representa, para o nosso restrito mercado editorial, uma referência importante para compreender a complexa mecânica que culminou na ascensão do fascismo na Itália, e a transformação de Mussolini em um ícone que inspiraria Adolf Hitler em sua corrida para tomar o poder.

Il Duce no ápice de sua popularidade, na década de 1930.

Veja também:
>>A Itália declara: "Guerra!"
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>>Filmes: Fascistas em Marte
>>Hino da Brigata Sassari
>>Livro: O Zoológico de Varsóvia

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Museu de San Diego exibirá réplica de stealth alemão

Museu de San Diego exibirá réplica de stealth alemão


O National Geographic Channel o descreve como um dos mais bem-guardados segredos do Terceiro Reich de Hitler.

Nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial uma misteriosa e futurista aeronave foi descoberta por tropas americanas em uma instalação alemã ultra-secreta. O protótipo de jato, que lembrava uma grande asa de morcego, e outras avançadas aeronaves alemãs foram trazidos para os Estados Unidos pelos militares na “Operação Cavalo Marinho”.

No começo da década de 1960, o protótipo foi transferido para o Museu Smithsonian em Maryland, e deixado fora dos olhos do público. E está lá até hoje.

Não houve liberação de documentos dele, e o público não tem acesso a ele”, disse Michael Jorgensen, um produtor de documentários que conseguiu o apoio do National Geographic Channel para juntar um grupo de engenheiros aeronáuticos da Northrop Grumman para estudar a aeronave e construir uma réplica em tamanho real, a partir das plantas originais.

O modelo completo, que tem uma envergadura de 18 metros, foi discretamente transportado para San Diego na última semana para se juntar ao acervo permanente do Museu Aeroespacial de San Diego.

O grande mistério: esta era uma aeronave stealth criada mais de três décadas antes da estréia da moderna tecnologia stealth? Poderia o jato em forma de bumerangue – quase inteiramente feito de madeira – realmente escapar da detecção do radar?

Se sim, os analistas militares imaginam se o fim da guerra poderia ter sido diferente caso os alemães tivessem tempo de empregar operacionalmente a tecnologia. O protótipo foi testado com sucesso pelos alemães no fim de 1944.

O processo de reconstrução foi filmado por três meses no fim do ano passado pela produtora de Jorgensen, a Flying Wing Films. As equipes de filmagem seguiram o modelo até o campo de testes da Northrop Grumman no deserto de Mojave em janeiro, onde a aeronave foi montada num mastro rotatório de cinco andares de altura. O radar foi apontado para ela por todas as direções e ataques aéreos foram simulados.

Foi a chance de estar envolvido na resolução de um mistério que tem intrigado os historiadores da aviação por um longo tempo”, disse Jim Hart, porta-voz da Northrop Grumman, empresa que criou o bombardeiro stealth B-2.

O documentário que conta a história do Horten Ho 229, o protótipo de jato ultra-secreto desenhado pelos irmãos Walter e Reimar Horten, estréia no domingo, 28 de junho, às 21h, no National Geographic Channel (nos EUA). Seu título é “O Caça Stealth de Hitler”. Poderia isso ser uma dica do resultado dos testes?

Fonte: SignOnSanDiego.com, 23 de junho de 2009.

Veja também:
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